Singing a reckless serenade

Ultimamente tenho sido mais receptivo a teoria de que nada é impossível, pelo simples fato de acontecerem coisas sem explicação no meu âmbito social e também comigo. Coisas as vezes sem importância, casualidades.

Percebi que essas coisas, na maioria das vezes, tem um fator em comum : a Despreocupação. 
Quando o cidadão relaxa, as coisas tendem a acontecer com naturalidade, e tudo que vem com naturalidade, é suave e gostoso de se viver.  Então o negócio é relaxar e esperar as coisas caminharem até ti? Não.
Optei por continuar agindo pelo que quero e fazendo por onde, mas sem esperar muito em troca, sem a ansiedade do retorno. Acredite, é mais fácil viver assim.

Makes me wonder

Tento diariamente dar o meu melhor; tento porém, em vão. Não tenho forças suficientes para dar conta de tudo, mordi algo maior que minha boca. Sofro, suo.
Como quando deveria ler, leio quando deveria dormir, durmo quando dá.
Fico estressado por ver seguidamente que não dou conta do que deveria fazer, mas de que maneira deveria agir então ? Sentar em casa e esperar a vida me graduar ? É puxado eu sei, e sei também que muita gente consegue, não contesto isso; contesto o fato de não poder ficar de saco cheio, de querer jogar tudo pro alto e deitar em uma grama fofinha.
Homem primata, capitalismo selvagem; desumaniza o ser, despreza vontades e anseios.
Penso nesses momentos que sou maior que isso, que devo levantar a cabeça e passar por cima de tudo, mas o único problema é que parece ter um pé vestindo um coturno pressionando a minha nuca.

Mas só vê quem quer ver, e ninguém se interessa por tentar entender.

On My Shoulder

Na última noite fazia muito frio, dentro de mim. A nostalgia imperava, logo agora em tempos de renovação, em tempos de deixar coisas para trás. É importante deixar de lembrar com tanta frequência de coisas que não voltam mais, mas algumas vezes isso apenas não pode ser feito.

Era tarde quando decidi ouvir os velhos acordes de um já falecido gênio que tanto admiro. Coloquei play e fui ao encontro de meu travesseiro, começando assim, uma viagem mental.

Lembrei primeiramente de objetos aleatórios … Uma camiseta com caveira, um casaco militar, um celular velho e um caderno estampado com o escudo de um clube. Logo após vieram os momentos, e o calor de cada sentimento passado. Foi tão bom lembrar que um dia já fui mais bem quisto por algumas pessoas, mas isso não tem volta e cabe a mim delegar a parte conformista de minha personalidade aceitar e esquecer isto.
Foi quando lembrei do poeta que morrera afogado.

Gênio, Talentoso, Profundo e Intrigante.

Ele nunca vai me abandonar, e vai sempre me fazer lembrar de tempos em que a preocupação da semana era a prova da professora Inaiara.

To the center of the city in the night, waiting for you.

Meu ópio, meu floco de neve, meu canto de paz, meu anjo, meu oasis.

O frio da noite me traz a nostalgia, e o ônibus me leva até ela. O vento que bate no rosto faz transparecer a palidez do meu interior, que por sua vez fragilizado, se esforça para enrugar-se em um sorriso ao cumprimentar o trabalhador noturno.
Desço do ônibus e esboço um sorriso tímido, torcendo para que a caminhada seja curta no caminho que me resta. É quase centro, porém as politicagens de arrecadação de impostos fazem com que o bairro seja outro. Coloco uma música que me inspire, e marcho firme em direção ao seu reduto, seu esconderijo, seu ninho. Me distraio com a pressa dos passantes, mas nada é mais importante do que dobrar a primeira a esquerda, primeira a direta e depois primeira a esquerda.Apenas isso passa em minha mente, e só isso importa, afinal faltam poucos metros para que finalmente o rosto dela descanse ao lado do meu.
Ligo para essa, sem intenção de ser atendido, apenas para fazer como havia sido combinado para avisa-la de que eu estava perto. Dobro a última esquina, caminho poucos metros, e a vejo sentada me esperando.

Estou em casa, mesmo na rua, na calçada, no meio fio, embaixo do viaduto, dentro do bar, na sinuca, e até mesmo em cima do palco, estou em minha casa.

Porque a minha casa, é ao lado dela.

Sentimental

Difícil é levantar da cama. Abrir a porta do quarto. Sair de casa.
Continuar é difícil, quando se quer ficar deitado envolto em algo quente que lhe faça companhia. O vazio tenta ser preenchido por cerveja, festa, barulho, risadas e um edredom.
O cansaço é o mais gritante dos sintomas de quem está cansado de se machucar nos espinhos de uma planta que se chama amor.
A beleza disso tudo são os bons momentos, mas que inegavelmente se colorem com tons de cinza no final da canção. Afinal que figura representaria melhor uma relação do que uma dança ? Com seus contratempos, pré refrões, refrões e introduções, leva um par a se descobrir e passear pelos altos e baixos do ritmo da vida.
A vida é uma canção.


Não digo que a busca seja infinita, pois tem provável fim na morte que tarda mas não falha.

Jazz

Da TV vinha o Jazz, dos buracos da persiana vinham fragmentos de luz, e do seu corpo vinha o amor. Era quase escravidão mas ela me tratava como um rei, e com o andar da carruagem se desenvolvia um magnetismo que certamente iria um dia ter seus pólos invertidos. E é lógico que nunca me importei com o que eu fosse sofrer, porque se o medo está presente na situação, de amor não se trata. Frio na barriga sim, medo não. O engodo se desfez, e o que restou foi o retorno ao começo da história. Jazz, baixa luz … e agora solidão.

Hm, whatever

Noite de quarta feira, e aquela conhecida mística melancólica se apossa de mim sem pedir licença.

O desimportante caminha na rua com olheiras que não são causadas por falta de descanso do corpo, mas sim por razões tão profundas quanto as marcas abaixo de seus olhos.
O problema desse sujeito não é a falta de felicidade ou o excesso de tristeza. A questão é a falta de impacto que as emoções trazem a ele.
“Tanto faz” é a expressão preferida de alguém que já foi exigente e teimoso, “pode ser” se tornou um bordão na hora de escolher o que comer ou o que vestir. Triste admitir isso abertamente, mas quando o desanimo é tanto, a obrigação de cumprir com as atividades diárias se torna o único motivo para levantar-se da cama.

Acorda. Pega ônibus. Trabalha. Almoça. Trabalha. Pega ônibus. Estuda. Pega ônibus. Escreve. Dorme. Repete.