Life

A mudança na autoestima me transforma completamente. Influi nas decisões a serem tomadas, nas reações a serem dadas, e nos pensamentos que flutuam no consciente. Quem acredita que não é muita coisa não é capaz de coisas maravilhosas, mas alguém que acredita em seu próprio valor se torna hábil para realizar coisas boas. Por vezes a culpa não é de ninguém se não minha para que eu me sinta assim, mas é o jogo.
Quando não acredito que sou bem quisto tendo a me encolher, e quando cutucado, reajo mal. Nesse estado as coisas tendem a piorar em um ciclo contínuo: Reajo mal, afasto quem me quer bem, fico pior e assim por diante. As vezes é difícil ver o bom das coisas, porque a parte boa só é visível pra quem quer que vê-la.

Em alguns dias eu acordo e só acho que o mundo é um lugar maluco cheio de pessoas doidas que sequer sabem que eu existo, e em dias assim só resta dormir para que amanhã talvez seja melhor.

Anúncios

Nota

I can’t find anywhere to hide
And when I’m hanging on,
By the rings around my eyes
And I convince myself I need another
For a minute it gets easier to
Pretend that you were just some lover

Vapour Trail

É como se a noite me compreendesse por completo. Fria, sozinha, escura … As nuvens fechando o céu, abrindo frestas para que a Lua possa se mostrar pra quem a vê aqui de baixo.
O cordão da calçada, a sarjeta, a fumaça, e ele olha pra cima e a encontra. Ele sabe que não tem forças pra alcança-la, então cabe a ele contemplar o tempo que tem.

Tenho vontade de correr.

Correr tão despreocupado que passarei por ruas pelas quais nunca andei, e ruas quais fizeram parte da minha história.
Correr tão completo sendo minha única companhia.
Correr tão seguro que a noite estará deserta e silenciosa só pra mim.
Correr tão livre de qualquer elo com o mundo.
Correr tão rápido que na noite fria e vazia vou me desfazer e virar pó.
Correr, Fugir.

Quebrado

Me ponho de pé e respiro fundo olhando para a parede branca no fundo de um longo corredor. O chão é feito de uma textura mole mas não a ponto de me deixar afundar, e as paredes são macias e almofadadas para proteger quem tentar se machucar ali. O corredor é longo e leva do nada a lugar algum, é o meu limbo, meu abismo, meu precipício pessoal e restrito. Não visto nada e não tenho nada comigo, só estou ali, naquele corredor longo e sem porta alguma. Me sinto frio, desabitado. Minha alma não está completa, foi dilacerada sem aviso prévio ou consentimento. Preto sem branco, LP sem lado B, cerveja sem colarinho. Não sei onde foi parar o resto de mim, e procuro incessantemente por todos os cantos do meu ser a resposta para essa pergunta. Eis que me desespero e percebo a natureza perturbadora de meu sonho. Mais que depressa faço forças para acordar, e em um salto me sento na cama. Minha camiseta está colada em mim, molhada de suor. Me coloco em pé e ligo o ventilador para aliviar o calor que sinto. Procuro entender o que aconteceu, mas quem responde por mim são as velhas caixas de som do meu quarto. Enquanto me aproximo para ouvir melhor o que está tocando no rádio, uma nova música tem início. Ouço as primeiras notas de uma guitarra cheia de sentimentos, seguida das primeiras palavras do poeta Neil Young. Me sento na beirada da cama, e escuto de olhos fechados toda a música. Cada verso despeja em mim uma chuva de lembranças aleatórias, e a música se torna uma viagem pelo meu passado …
Descubro que me lembro de mais do que achava lembrar, e que sinto mais do que achava sentir.

19 de 1993

Sou de 93 e bato no peito com orgulho quando falo isso. Assisti cavalheiros dos zodíacos, dragonball e todos esses desenhos. Usei internet discada, usei windows 95 e me diverti no paint. Usei camiseta do Green Day, assisti tv Cruj e ouvi à uma fita do Nirvana. Rebobinei filme antes de entregar na locadora, assoprei cartucho de Super Nintendo e tive um óculos do Cebolinha. Vi o Lula ganhar a eleição, vi os atentados de 11 de setembro e vi a morte de Michael Jackson, Amy Winehouse, Cassia Eller, Steve Jobs, Heath Ledger e mais uma cambada de gente.
Mas já faz algum tempo que as coisas vem mudando depressa … e dentre todas essas mudanças eu vi o mundo mudar conceitos e estilos de vida, vi pessoas mudarem o jeito de se vestir, pensar e encarar a vida.

Eu também mudei junto com o mundo.

 Ouvi músicas diferentes, agi de maneiras diferentes e tive perspectivas diferentes. Andei de skate, tentei aprender a andar de bicicleta e não aprendi, andei de patinete, joguei bola, me ataquei da asma, joguei video game, me ataquei da asma de novo, comprei um violão e aprendi come as you are. Me formei no ensino fundamental, entrei no médio, comprei uma guitarra, me apaixonei por Oasis … Muitas e muitas coisas aconteceram desde então, até chegar onde estou e do jeito que sou.

No domingo dia 8 fiz dezenove anos, e não sei como me sinto sobre isso. Não faz muito eu era criança, de repente eu comecei a trabalhar e do nada, eu parei numa faculdade de jornalismo e em um emprego de carteira assinada.

 

 

Não tenho muitas certezas sobre minha vida profissional ou sobre o que quero alcançar, mas tenho certeza de quem sou. Rock and Roll.

Minha primeira entrevista

Segue minha primeira entrevista :

Marlise Brenol é formada em jornalismo pela PUCRS (2000) e é pós-graduada pela UFRGS (2004). Trabalha no Grupo RBS desde 2007, e tem no jornalismo digital a sua especialidade. Tem no seu currículo passagens pela Tvcom, CNN, Terra, Grupo RBS e também na embaixada da Coréia do Sul em Brasília. Atualmente Marlise trabalha em um novo projeto na web do grupo RBS. 

Jonathan:  Por que tu escolheste estudar jornalismo?

Marlise: Eu escolhi estudar jornalismo porque quando eu estava no ensino médio, eu me interessei por um programa de intercâmbio pra High School nos Estados Unidos, então fui para lá e fiquei numa casa de família. Nessa aventura de adolescente eu buscava alguma conexão com minhas raízes e essa conexão foi o jornal. Então todas as manhãs eu procurava ler jornais, buscando notícias do meu país. E aí eu percebi que quando havia notícias do me país eram sempre coisas negativas, como violência, corrupção e inflação. Então comecei a me incomodar com aquilo e pensar que meu país não era só isso. E aí surgiu uma ambição de mudar a imagem do Brasil no jornalismo e a forma como se faz jornalismo, pensar nos critérios das notícias e coisas do tipo. Eu já tinha o hábito de ler muito porque meus pais são leitores vorazes de jornais e grandes ouvintes de rádio, e isso se acentuou na minha adolescência.  Então eu decidi que era isso que queria, voltei ao Brasil, prestei vestibular, entrei na faculdade e isso foi me encantando cada vez mais. 

Jonathan: O que tu levaste de mais importante na tua graduação na PUC?

Marlise: Foram tantas coisas (risos), mas acho que foi a minha vontade de aprendizado contínuo e a certeza de que o futuro era multimídia. Formei-me em 2000, e as faculdades eram muito segmentadas na época. As pessoas perguntavam qual era o veículo que tu irias querer te especializar e tu tinhas que escolher conforme o que tu achavas que era, TV, rádio e etc. E eu nunca tive uma vocação certa, cada cadeira que eu fazia me encantava, então fiquei com a ideia de que pra ser multimídia tu tem que estar permanentemente em aprendizado.

Jonathan: Por que tu escolheste fazer mestrado em “Comunicação e Informação” na UFRGS?

Marlise: Quando me formei, eu ainda estava muito inquieta e com sede de aprender mais, então comecei a avaliar várias possibilidades de mestrado e acabei me inscrevendo na UFRGS. Conversei com colegas que tinham feito mestrado, com professores e tive ajuda de um deles em especial, a professora Cristiane Finger, que me orientou a fazer o pré-projeto necessário para a inscrição. Fui aprovada e entrei pra FABICO, lá descobri que o mestrado te trás mais perguntas do que respostas, isso me ensinou a refletir e pensar sobre a filosofia da profissão, o que me ajudou muito como profissional.

Jonathan: Como surgiu a oportunidade de tu realizares teu estágio na CNN?

Marlise: Na época eu trabalhava na TVCOM, e um dia eu estava lendo a Folha e vi uma oferta de bolsa de estudos para estudantes de jornalismo que estivessem cursando mestrado e trabalhando no mercado. A possibilidade era de seis meses de estudos em uma universidade e seis meses de estágio na CNN, me inscrevi e participei da seleção, que foi bem rígida. O estágio foi na cidade de Atlanta, no estado da Georgia, e o estudo foi em Gainesville na Flórida. Foi uma experiência muito positiva.

Jonathan: Como foi o teu trabalho na embaixada da Coréia, em Brasília?

Marlise: Meu namorado fez um concurso e foi chamado para trabalhar em Brasília, e nós decidimos então casar e ir para lá. Quando cheguei lá, enviei currículos para todos os lugares possíveis, e os dois meses seguintes foram só de entrevistas. Aí surgiu essa oportunidade na embaixada da Coréia, foi uma experiência bem bacana. Eu mandava releases, fazia o clipping junto com um coreano que trabalhava lá e organizava visitas à embaixada, era basicamente isso.

Jonathan: Tu tens alguma outra especialização?

Marlise: Sim. Tenho uma especialização que fiz em Jornalismo digital, mais voltada a parte de prática profissional. Foi no Instituto Internacional de Ciências Sociais em São Paulo. 

Jonathan: Quando tu começaste a trabalhar em web?

Marlise: Quando eu voltei para Porto alegre, depois de uma entrevista, surgiu a oportunidade de editora de Brasil no Terra. Na época eu fiz várias entrevistas, mas acabei aceitando a proposta do Terra pelo desafio que era muito maior. Depois, eu vim para a implementação do site da Zero Hora, participei de todo treinamento da equipe para entrarmos nessa virada digital, que estamos tentando fazer até hoje (risos). 

Jonathan: O que significa pra ti dar aulas na Unisinos?

Marlise: Dar aulas na Unisinos pra mim é um aprendizado. Eu costumo dizer pra quem me pergunta o porquê eu dou aula, que pra mim o mais importante é a troca que acontece. Pra eu ensinar, eu preciso aprender. Então eu tenho que me preparar, e nisso ocorre o aprendizado, fora o contato que eu tenho com os jovens, isso me mantém ativa. Só pode ser professor quem gosta de aprender.

Jonathan: Que objetivos mais tu almeja na tua carreira?

Marlise: Como professora eu quero fazer o meu doutorado, mas ainda tenho uma dúvida sobre que área do jornalismo retomar, e ainda não tive o “pulo do gato” de encontrar o foco do meu estudo. E no mercado eu tenho um grande desafio que é fazer a WebTv da Zero Hora, e tenho ainda muitos outros projetos dentro da minha área que é o jornalismo digital. Quero ainda produzir muitos produtos e linguagens novas dentro desse mercado que é a internet.

Jonathan: Como é a tua rotina?

Marlise: Agora eu estou em fase de transição, mas a minha rotina até então era bem intensa. Eu era responsável por uma equipe de 15 pessoas diretamente, e indiretamente quase umas 30. Eu tinha de estar 24 horas por dia ciente do site, então eu acordava muito cedo, perto das 6 da manhã, lia jornal, entrava no site, ouvia rádio, ligava para redação e chegava na zero hora mesmo as 9 horas.  Na parte da manhã eu tinha uma reunião com todas as editorias, discutia as pautas e levava tudo para os repórteres. Depois do almoço tinha a reunião das 2 horas,  seguia e voltava para a ilha do online e passava as orientações. No fim da tarde acontecia a reunião do dia seguinte, com a organização das pautas para o dia seguinte. Chegava em casa perto das 8:30 da noite, mas eu tinha uma parada boa na hora do almoço, se não acontecem problemas no hardware (risos).

Jonathan: Que conselhos tu daria para um estudante do primeiro semestre?

Marlise: Eu aconselho experimentar e aprender, e aprender experimentando. Testar. O aprendizado passa pela experiência, pela leitura e pela curiosidade. Nós só vamos obter respostas testando e experimentando. Pensem se uma rotina de jornalista faria vocês felizes, e aproveitem o máximo de oportunidade que vocês possam ter para aprender e conhecer. Agarrem as oportunidades com unhas e dentes.

De Ti

Sinto saudade.

Sinto saudade do toque, da voz, do jeito.
Sinto saudade da mania, da loucura, da sinceridade.
Sinto saudade do carinho, do companheirismo, do amor.
Sinto saudade da alegria que nos contagiava.
Sinto saudade do que já não é mais possível que me seja dado.
E é muito lindo sentir tudo isso, uma vez que tenho certeza que foi a coisa mais pura que já senti.
Sinto saudade de ti.