Minha primeira entrevista

Segue minha primeira entrevista :

Marlise Brenol é formada em jornalismo pela PUCRS (2000) e é pós-graduada pela UFRGS (2004). Trabalha no Grupo RBS desde 2007, e tem no jornalismo digital a sua especialidade. Tem no seu currículo passagens pela Tvcom, CNN, Terra, Grupo RBS e também na embaixada da Coréia do Sul em Brasília. Atualmente Marlise trabalha em um novo projeto na web do grupo RBS. 

Jonathan:  Por que tu escolheste estudar jornalismo?

Marlise: Eu escolhi estudar jornalismo porque quando eu estava no ensino médio, eu me interessei por um programa de intercâmbio pra High School nos Estados Unidos, então fui para lá e fiquei numa casa de família. Nessa aventura de adolescente eu buscava alguma conexão com minhas raízes e essa conexão foi o jornal. Então todas as manhãs eu procurava ler jornais, buscando notícias do meu país. E aí eu percebi que quando havia notícias do me país eram sempre coisas negativas, como violência, corrupção e inflação. Então comecei a me incomodar com aquilo e pensar que meu país não era só isso. E aí surgiu uma ambição de mudar a imagem do Brasil no jornalismo e a forma como se faz jornalismo, pensar nos critérios das notícias e coisas do tipo. Eu já tinha o hábito de ler muito porque meus pais são leitores vorazes de jornais e grandes ouvintes de rádio, e isso se acentuou na minha adolescência.  Então eu decidi que era isso que queria, voltei ao Brasil, prestei vestibular, entrei na faculdade e isso foi me encantando cada vez mais. 

Jonathan: O que tu levaste de mais importante na tua graduação na PUC?

Marlise: Foram tantas coisas (risos), mas acho que foi a minha vontade de aprendizado contínuo e a certeza de que o futuro era multimídia. Formei-me em 2000, e as faculdades eram muito segmentadas na época. As pessoas perguntavam qual era o veículo que tu irias querer te especializar e tu tinhas que escolher conforme o que tu achavas que era, TV, rádio e etc. E eu nunca tive uma vocação certa, cada cadeira que eu fazia me encantava, então fiquei com a ideia de que pra ser multimídia tu tem que estar permanentemente em aprendizado.

Jonathan: Por que tu escolheste fazer mestrado em “Comunicação e Informação” na UFRGS?

Marlise: Quando me formei, eu ainda estava muito inquieta e com sede de aprender mais, então comecei a avaliar várias possibilidades de mestrado e acabei me inscrevendo na UFRGS. Conversei com colegas que tinham feito mestrado, com professores e tive ajuda de um deles em especial, a professora Cristiane Finger, que me orientou a fazer o pré-projeto necessário para a inscrição. Fui aprovada e entrei pra FABICO, lá descobri que o mestrado te trás mais perguntas do que respostas, isso me ensinou a refletir e pensar sobre a filosofia da profissão, o que me ajudou muito como profissional.

Jonathan: Como surgiu a oportunidade de tu realizares teu estágio na CNN?

Marlise: Na época eu trabalhava na TVCOM, e um dia eu estava lendo a Folha e vi uma oferta de bolsa de estudos para estudantes de jornalismo que estivessem cursando mestrado e trabalhando no mercado. A possibilidade era de seis meses de estudos em uma universidade e seis meses de estágio na CNN, me inscrevi e participei da seleção, que foi bem rígida. O estágio foi na cidade de Atlanta, no estado da Georgia, e o estudo foi em Gainesville na Flórida. Foi uma experiência muito positiva.

Jonathan: Como foi o teu trabalho na embaixada da Coréia, em Brasília?

Marlise: Meu namorado fez um concurso e foi chamado para trabalhar em Brasília, e nós decidimos então casar e ir para lá. Quando cheguei lá, enviei currículos para todos os lugares possíveis, e os dois meses seguintes foram só de entrevistas. Aí surgiu essa oportunidade na embaixada da Coréia, foi uma experiência bem bacana. Eu mandava releases, fazia o clipping junto com um coreano que trabalhava lá e organizava visitas à embaixada, era basicamente isso.

Jonathan: Tu tens alguma outra especialização?

Marlise: Sim. Tenho uma especialização que fiz em Jornalismo digital, mais voltada a parte de prática profissional. Foi no Instituto Internacional de Ciências Sociais em São Paulo. 

Jonathan: Quando tu começaste a trabalhar em web?

Marlise: Quando eu voltei para Porto alegre, depois de uma entrevista, surgiu a oportunidade de editora de Brasil no Terra. Na época eu fiz várias entrevistas, mas acabei aceitando a proposta do Terra pelo desafio que era muito maior. Depois, eu vim para a implementação do site da Zero Hora, participei de todo treinamento da equipe para entrarmos nessa virada digital, que estamos tentando fazer até hoje (risos). 

Jonathan: O que significa pra ti dar aulas na Unisinos?

Marlise: Dar aulas na Unisinos pra mim é um aprendizado. Eu costumo dizer pra quem me pergunta o porquê eu dou aula, que pra mim o mais importante é a troca que acontece. Pra eu ensinar, eu preciso aprender. Então eu tenho que me preparar, e nisso ocorre o aprendizado, fora o contato que eu tenho com os jovens, isso me mantém ativa. Só pode ser professor quem gosta de aprender.

Jonathan: Que objetivos mais tu almeja na tua carreira?

Marlise: Como professora eu quero fazer o meu doutorado, mas ainda tenho uma dúvida sobre que área do jornalismo retomar, e ainda não tive o “pulo do gato” de encontrar o foco do meu estudo. E no mercado eu tenho um grande desafio que é fazer a WebTv da Zero Hora, e tenho ainda muitos outros projetos dentro da minha área que é o jornalismo digital. Quero ainda produzir muitos produtos e linguagens novas dentro desse mercado que é a internet.

Jonathan: Como é a tua rotina?

Marlise: Agora eu estou em fase de transição, mas a minha rotina até então era bem intensa. Eu era responsável por uma equipe de 15 pessoas diretamente, e indiretamente quase umas 30. Eu tinha de estar 24 horas por dia ciente do site, então eu acordava muito cedo, perto das 6 da manhã, lia jornal, entrava no site, ouvia rádio, ligava para redação e chegava na zero hora mesmo as 9 horas.  Na parte da manhã eu tinha uma reunião com todas as editorias, discutia as pautas e levava tudo para os repórteres. Depois do almoço tinha a reunião das 2 horas,  seguia e voltava para a ilha do online e passava as orientações. No fim da tarde acontecia a reunião do dia seguinte, com a organização das pautas para o dia seguinte. Chegava em casa perto das 8:30 da noite, mas eu tinha uma parada boa na hora do almoço, se não acontecem problemas no hardware (risos).

Jonathan: Que conselhos tu daria para um estudante do primeiro semestre?

Marlise: Eu aconselho experimentar e aprender, e aprender experimentando. Testar. O aprendizado passa pela experiência, pela leitura e pela curiosidade. Nós só vamos obter respostas testando e experimentando. Pensem se uma rotina de jornalista faria vocês felizes, e aproveitem o máximo de oportunidade que vocês possam ter para aprender e conhecer. Agarrem as oportunidades com unhas e dentes.

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